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Presidente do Senado foi ao Planalto alertar Bolsonaro

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Foto: Reprodução/ Mais Goiás

Pressionado pelo parlamento a dar uma resposta ao presidente Jair Bolsonaro contra as ameaças às instituições, mas ao mesmo tempo preocupado com uma possível ruptura institucional, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) assumiu o papel de bombeiro na crise entre os Poderes deflagrada anteontem pela operação da Polícia Federal, determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que teve como alvos aliados do presidente.

Alcolumbre tomou a iniciativa de ir ao Palácio do Planalto na tarde de ontem. Relatou ao presidente que falas como a dele pela manhã (“Acabou, porra! Não teremos outro dia como ontem”) são infelizes e geram tensão não só no Judiciário, mas também no Legislativo. Ele lembrou a Bolsonaro que, como presidente do Congresso, não pode assumir um lado na disputa.

Bolsonaro repetiu várias vezes que precisava “ser respeitado”. Disse que respeita as instituições, caso contrário não teria entregue a gravação da reunião de 22 de abril. Mas não aceitava, por exemplo, quererem vasculhar seu celular – algo, na verdade, advindo de um pedido da oposição, que o ministro Celso de Mello apenas repassou à Procuradoria-Geral da República.

Alcolumbre pediu a Bolsonaro que “não estique a corda”. Que o Congresso está pronto para ajudar o governo e votar as medidas necessárias para a superação da crise, mas aconselhou Bolsonaro a evitar as já frequentes saídas no fim de semana para insuflar manifestações de viés antidemocrático – não é a primeira vez que o presidente do Senado faz esse pedido a Bolsonaro.

O clima é tenso principalmente na cúpula do Senado e da Câmara dos Deputados. Durante todo o dia, houve pressão vinda principalmente das bancadas por uma resposta do Congresso como instituição.

No Senado, por exemplo, a avaliação é que as instituições democráticas estão “perdendo o controle da situação” e que o governo “perdeu o medo” dos órgãos de controle. “Davi [Alcolumbre] e [Rodrigo] Maia precisam sair da toca”, disse um parlamentar, em condição de anonimato.

Alguns congressistas sugeriam uma resposta mais explícita, com paralisação das votações por uma semana e colocar na agenda como emergencial a defesa da democracia. Outro grupo levantou a hipótese de o Congresso eleger um interlocutor para conversar com os militares.

Este nome não poderia ser nem do Centrão, que se aproximou do presidente, nem dos partidos de esquerda, que não têm boas reações com os generais. A aposta desses congressistas é que as Forças Armadas não vão embarcar nesse movimento do presidente da República.

De forma geral, apesar da inconstitucionalidade do inquérito conduzido pelo Supremo, é quase unânime no Senado o apoio à operação contra o “gabinete do ódio”, que seria responsável por comandar a disseminação de notícias falsas. Há consenso de que a aprovação do projeto, de autoria do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), que trata de regular e punir a disseminação das chamadas “fake news”, não é uma resposta à altura. “Isso [projeto do Alessandro Vieira] é um [revólver] 38 contra uma bazuca”, disse uma fonte.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pontuou que as declarações do presidente Bolsonaro “vão no caminho contrário do que a gente começou a construir, todos os Poderes juntos, desde a semana passada”.

“Toda a tentativa que fizemos essa semana é reafirmando nosso compromisso com o diálogo e a importância do respeito institucional. Acho que as declarações de hoje vão em outro caminho, um caminho que gera insegurança”, disse.

Evitando um posicionamento mais duro em relação a Bolsonaro, Maia pontuou que um compartilhamento de informações da PF com a Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPI) das “fake news” é possível, desde que feito na mais absoluta legalidade e respeitando as posições dos órgãos envolvidos.

Valor Econômico

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